domingo, 29 de agosto de 2010

Trabalho de Conclusão

Finalmente estamos chegando na etapa final de nossa caminhada como estudantes do curso de Pedagogia à Distância da UFRGS. Já passamos pela etapa que na minha opinião foi a que causou mais angustia que foi o estágio, onde apesar de termos experiência, tivemos que colocar em xeque aquilo que desenvolvemos nestes 8 semestres de curso e que incorporamos em nosso dia-a-dia de trabalho.
Agora vamos ao trabalho de conclusão, que como o nome já diz é a conclusão de nosso curso e o momento de repensar sobre e longa jornada que fizemos até aqui.
Já tivemos duas aulas que serviram para tranqüilizar à todas, pois faremos nosso TCC sobre as mudanças e as nossas observações realizadas durante o estágio e dentro do que realizamos embasar teoricamente nossos atos e responder a pergunta inicial que será a geradora de nosso trabalho.
Nossas orientadoras conversaram conosco de uma forma bastante franca e tranquilizadora esclarecendo da melhor forma possível nossas dúvidas.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Semana 9

Nesta semana chego ao fim de mais uma etapa da minha, menos feliz do que esperava e pensava, mas realizada por conseguir mostrar um pouco do trabalho realizado por mim. Frustrada por não ter feito tudo que planejei, principalmente na área das mídias e tecnologias, mas feliz por aquilo que consegui fazer.

Planejar, esquematizar, prever determinados conteúdos, aula e situações é muito bom, aliás, não é somente bom, mas sim essencial para a realização de um bom trabalho. No entanto, é de extrema importância que este planejamento seja flexível, pois como estamos lidando com pessoas, estamos sujeitos a imprevistos. No início da minha carreira do magistério, não tinha esta visão e flexíbilidade o que acabava me deixando frustradíssima quando algo não acontecia como o planejado, acabava me cobrando muito e muitas vezes passando esta frustração para os alunos.
Segundo Gandin (2001, p. 83), "é impossível enumerar todos tipos e níveis de planejamento necessários à atividade humana. Sobretudo porque, sendo a pessoa humana condenada, por sua racionalidade, a realizar algum tipo de planejamento, está sempre ensaiando processos de transformar suas idéias em realidade. Embora não o faça de maneira consciente e eficaz, a pessoa humana possui uma estrutura básica que a leva a divisar o futuro, a analisar a realidade a propor ações e atitudes para transformá-la."
Hoje em dia continuo não gostando quando as coisas não acontecem como planejo, mas agora tenho jogo de cintura para adaptar as situações da melhor forma possível e principlamente não me cobrar tanto como no início.
Nestas nove semanas de estágio, muitas coisas não aconteceram como havia previsto em meu projeto de estágio, mas acredito que as adaptações acabaram acontecendo de maneira natural e da melhor forma possível, mostrando que devemos estar preparadas para imprevístos e para a falta ou excesso de entusiamo dos alunos e que destes imprevistos tirar o melhor possível para crescermos como profissionais e também modificar o deve e pode ser modificado conforme as situações e a turma que é aplicada, pois nenhuma turma é igual a outra.
Referências Bibliograficas:
Posição do planejamento participativo entre as ferramentas de intervenção na realidade. Currículo sem Fronteira, v.1, n. 1, jan./jun., 2001, pp. 81-95.

domingo, 6 de junho de 2010

Semana oito


Esta semana, apesar de curta, logo na segunda-feira apresentou um situação que me deixou bem triste e abalada. Logo que cheguei a escola, depois de bater meu ponto, duas alunas vieram ao meu encontro, uma delas visivelmente triste e a outra com muita pena da colega. Minha aluna chegou até mim dizendo: "Prof., aconteceu uma tragédia com a minha família." Eu  a princípio achei que ela estava brincado, mas depois reparei os sinais de lágrimas do rosto dela e perguntei o que havia acontecido. Ela disse que seus pais haviam se separado e que o pai havia saido de casa.Sua mãe lhe falou que para ela o pai não voltaria mais. Neste momento ele começou a chorar novamente, então de uma forma muito delicada conversei com ela, dando-lhe a certeza que mesmo separados ambos continuariam a ser seu pai e sua mãe e que mesmo que o pai não voltasse mais para a mãe ele sempre voltaria para as filhas, pois ele havia deixado de ser marido mas continuava a ser pai. Abracei ela e continuei mais algum tempo consolando ela. Não sei se o que falei para ela trouxe algum alivio, mas durante a aula coloquei-a sentada na minha frente e notei que ela estava muito melhor.
Isto me fez questionar do papel do professor hoje em dia, pois ouve-se muito, principalmente na sala do professores, em momentos de frustração, que "estamos aqui para ensinar", "educação se dá em casa", "se tem problemas procure um médico" e outras coisas do tipo. Não consigo ser assim, não por não concordar com algumas, mas porque sou humana e não conseguiria deixar uma criança ou uma pessoa que viesse até mim, falando de um problema, sem pelo menos escutá-la. Fico pensando se estas pessoas que muitas vezes falam isso realmente pensam isso, ou em momentos de frustração, falam isso da boca para fora. Trabalhamos com seres humanos, estamos sujeitos a passarmos por momentos frustrantes, pois nem sempre as pessoas correspondem a nossas idéias com o entusiasmo ou com as respostas que esperamos, pois as pessoas são imprevisíveis, nem sempre reagem da forma que esperamos e é isso que nos diferencia das máquinas.
Segundo Gadotti (1998), "faz-se mister que o professor se assuma enquanto um profissional do humano, social e político, tomando partido e não sendo omisso, neutro, mas sim definindo para si de qual lado está, pois se apoiando nos ideais freireanos, ou se está a favor dos oprimidos ou contra eles. Posicionando-se então este profissional não mais neutro, pode ascender à sociedade usando a educação como instrumento de luta, levando a população a uma consciência crítica que supere o senso comum, todavia não o desconsiderando".
Na minha concepção, penso que estamos na vida destas crianças, não somente para ensinar os conteúdos, mas sim para orientar, para dar exemplos, pois deve ser frustrante passar pela vida de um aluno sem deixar pelo menos uma pequena marca ou lembrança.
“O professor autoritário, o professor licencioso, o professor competente, sério, o professor incompetente, irresponsável, o professor amoroso da vida e das gentes, o professor mal-amado, sempre com raiva do mundo e das pessoas, frio, burocrático, racionalista, nenhum deles passa pelos alunos sem deixar sua marca." (FREIRE, 1996, p.73) 
Acredito que respeito se conquista e não se impõe, pois muitas vezes se ouve comentários a respeito de desrespeito por parte dos alunos, mas penso que isso se deve a muitas vezes a posturas autoritárias, a muitas vezes uma postura de donos da verdade que incomoda quem é o foco dela. Tratando com seres humanos estamos diante da lei da " ação e reação" e também, como já comentei do fato de sermos imprevisíveis e sujeitos a dias ruins.
“O professor não apenas transmite uma informação ou faz perguntas, mas também ouve os alunos. Deve dar-lhes atenção e cuidar para que aprendam a expressar-se, a expor opiniões e dar respostas. O trabalho docente nunca é unidirecional. As respostas e as opiniões dos alunos mostram como eles estão reagindo à atuação do professor, às dificuldades que encontram na assimilação dos conhecimentos. Servem também para diagnosticar as causas que dão origem a essas dificuldades. (1994, p.250) 
Para finalizar um pensamento de Freire, que reflete um pouco do meu jeito de ser e tratar com os alunos, sou exigente, mas procuro ter uma postura próxima dos alunos, uso um pouco do carisma que acredito possuir para conquistá-los e de alguma forma realizar meu papel de professor. 
“... o bom professor é o que consegue, enquanto fala, trazer o aluno até a intimidade do movimento do seu pensamento. Sua aula é assim um desafio e não uma ‘cantiga de ninar’. Seus alunos cansam não dormem. Cansam porque acompanham as idas e vindas de seu pensamento, surpreendem suas pausas, suas dúvidas, suas incertezas.” (FREIRE, 1996, p.96)
Referências bibliográficas:
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
Gadotti, Moacir (1998): Pedagogia da práxis, 2.ª ed., São Paulo, Cortez.
LIBÂNEO, J. C.. Didática. São Paulo: Cortez, 1994

domingo, 30 de maio de 2010

Semana sete


Esta semana realizei o fechamento das notas dos meus alunos, desde o ano passado começamos a atribuir notas para os alunos do currículo por atividades, pois antes tinhamos apenas um parecer trimestral. Sei que a cada entrega de boletins alguns pais sempre questionavam perguntando qual a nota que se filho havia tirado, pois achavam necessidade que o desempenho do filho fosse colocado em um número, então, por este motivo, decidiu-se atribuir uma nota para os alunos, além do parecer descritivo.
 Muitas vezes acho injusto atribuir uma nota para um aluno, principalmente no final do trimestre, pois existem alunos que não são empenhados, tem mais sorte que conhecimento e acabam tirando uma nota melhor que alunos que são empenhados, fazem todos os trabalhos, mas na hora de um prova acabam tendo o famoso "branco" e não conseguem realizar ou expressar tudo que sabem naquele momento.
Uma das vantagens de trabalhar com o currículo por atividades é que podemos avaliar o aluno além da nota da sua prova ou teste, podemos acompanhar o desenvolvimento do aluno durante o trimestre ou o ano letivo e estabelecer se o aluno desenvolveu-se naquele ano ou realmente possui alguma dificuldade que  impede de acompanhar o próximo ano.
  De acordo com a Lei 9394 que foi projetada, em 1988, e aprovada em 1996, o processo avaliativo é contemplado no Art. 24 inciso V, que diz:
“Art. 24º. A educação básica, nos níveis fundamental e médio, será organizada de acordo com as seguintes regras comuns:
V - a verificação do rendimento escolar observará os seguintes critérios:
a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
b) possibilidade de aceleração de estudos para alunos com atraso escolar;
c) possibilidade de avanço nos cursos e nas séries mediante verificação do aprendizado;
d) aproveitamento de estudos concluídos com êxito;
e) “obrigatoriedade de estudos de recuperação, de preferência paralelos ao período letivo, para os casos de baixo rendimento escolar, a serem disciplinados pelas instituições de ensino em seus regimentos;”
Esta semana ao fazer o fechamento das notas me deparei com algumas situações bem difíceis, pois duas alunas acabaram ficando abaixo da média do trimestre, mas ao mesmo tempo, depois parei para refletir sobre o desempenho e o rendimento em sala de aula e percebi que a suas notas foram o reflexo do seu desempenho em sala, pois são meninas que não são empenhadas, dificilmente apresentam seu caderno por livre e espontânea vontade, não realizam as atividades em sala de aula, preferindo conversar e brincar. Uma delas possui muitas dificuldades, pois veio de outra escola ano passado para a nossa sem ser completamente alfabetizada, ela possui muitas dificuldades e está muito abaixo daquilo que é esperado para um 4º ano. Com esta aluna venho fazendo um trabalho diferenciado, mas mesmo assim falta maturidade para acompanhar mesmo este trabalho. Já conversei com a mãe que se mostrou pouco acessível, sendo inclusive bem mal educada na nossa conversa.
A outra menina é dispersa, mas quando é acompanhada mais de perto, mostra que tem condições de seguir seus colegas, apesar de ser muito imatura para a idade. Já os pais desta menina são bastante presentes, seguidamente entrando em contato comigo, por meio de bilhetes, para saber do rendimento da filha.
Semana passada estava lendo alguns artigos referentes a educação e me deparei com um artigo da revista Veja com o título: O amor constrói ,mas não ensina tabuada, que me levou a refletir também sobre a qualidade da educação, do tipo de aluno que estamos colocando no mundo e se não vale a pena muitas vezes exigir o máximo de nossos alunos para que eles descubram que são capazes. Já aqueles alunos que não conseguem desenvolver-se naquele ano mesmo depois de esgotadas as possíbilidades de  aprendizagem, talvez reprovar estes alunos. Para falar a verdade não sei o que é certo, só sei que é uma situação aflitiva.
“ Considerando a aprendizagem no sentido amplo, podemos, entre outras coisas, corrigir o “errando se aprende” por “errando também se aprende”: o erro, ou fracasso não é condição necessária para haver aprendizagem. Por outro lado, torna-se exagerada, neste contexto teórico, a preocupação “skinneriana” de evitar todo o fracasso levando todo o aluno a produzir somente respostas corretas, pois o fracasso  torna-se eventualmente necessário para que o sujeito tome consciência da inadaptação dos seus esquemas e da conseqüente necessidade de construir novos esquemas, ou seja, reconstruir os já existentes.” (Becker, 1993, p.97-98).
“A avaliação da aprendizagem envolve atividades, técnicas e instrumentos de avaliação que permitem ao avaliador verificar se o aluno adquiriu tais conhecimentos, capacidades, atitudes, etc. Mas mesmo no caso menos óbvio, da avaliação e conhecimentos, aquilo que o avaliador faz é a observação de certas competências do aluno, isto é a observação de seus saberes postos em ação. De fato, não lhe é possível “olhar para dentro da cabeça” de um aluno para avaliar se ele “tem lá” um conhecimento (ou domina um conteúdo, se preferir). Isto significa que a avaliação é uma atividade eminentemente empírica e que o avaliador nunca está em posição de verificar as aquisições do aluno a não ser que este, convocado para uma atividade de avaliação aprimorada se manifeste se comporte ou haja de algum modo empiricamente acessível. As atividades de avaliação exigirão sempre, pois, uma dada manifestação, ação ou comportamento observável a partir do qual o avaliador infere ter-se concretizado, ou não, daquela aquisição” (Costa, 2004, p.5).
O que posso perceber é que  a avaliação do nível de aprendizagem do aluno não pode ser tomada como verdade absoluta, portanto ela pode ser questionada. Sempre terá que ser vista com bastante cuidado e responsabilidade, uma vez que, se o método for empregado de forma errada não poderá, jamais, medir o real conhecimento adquirido pelo aluno.
Referências Bibliograficas
BRASIL, LDB. Lei 9394/96. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em<
www.mec.gov.br>.
COSTA, Antônio P.. Avaliação: como avaliar o aprender a (competências) e o aprender que (conteúdos)?. Coimbra: APF,: 2004.
BECKER, Fernando. Da ação à operação: O caminho da Aprendizagem: J. Piaget e P. Freire. Porto
Alegre: EST: Palmarinca: Educação e realidade, 1993.

SOUZA, Clariza P de (org). Avaliação do rendimento escolar: Campinas: Papurus, 1991.


domingo, 23 de maio de 2010

Semana seis


 Esta semana observando algumas atitudes de alguns alunos, comecei a me questionar se realmente é valido iniciar a alfabetização das crianças com seis anos. Tenho apenas 22 alunos e destes, 6 ainda não possuem maturidade para estarem em um 4º ano, pois possuem dificuldades em prestar atenção, de acompanhar uma explicação e durante o momento de fazerem as tarefas em sala de aula estão brincando com seus materiais, ou com os próprios brinquedinhos que trazem de casa.
     Estas observaçõe que venho fazendo desde o início do ano e fatalmente comparando com as turmas anteriores, apesar de saber que nenhuma turma é igual, me fizeram questionar sobre este fato, sobre a importância de brincarem com 6 anos e não como estes alunos, que são a primeira turma dos 9 anos, já serem alfabetizados.
     A maioria não frequentou creche, ou seja, não teve a educação infantil, vindo direto para o 1º ano e já para aprender a ler  e escrever.
     Pode ser algum tipo de paranóia de minha parte, mas sinto esta turma muito diferente das que já tive em muitos anos de magistério.
     Piaget (1998) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança sendo por isso, indispensável à prática educativa (Aguiar, 1977, 58).
     Vygotsky (1989: 109), ainda afirma que: “é enorme a influência do brinquedo no desenvolvimento de uma criança. É no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de agir numa esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não por incentivos fornecidos por objetos externos”.
      Brincando, ela começa a entender como as coisas funcionam, o que pode e não pode ser feito, aprende que existem regras que devem ser respeitadas, se quer ter amiguinhos para brincar e, principalmente, aprende a perder e a ver que o mundo não acaba por causa disso. Descobre que, se ela perde um jogo hoje, pode ganhar em outro amanhã.
     O jogo permite uma assimilação e apropriação da realidade humana pelas crianças já que este não surge de uma fantasia artística, arbitrariamente construída no mundo imaginário da brincadeira infantil; a própria fantasia da criança é engendrada pelo jogo, surgindo precisamente neste caminho pelo qual a criança penetra na realidade.
Percebendo esta necessidade dos alunos de brincar acabo fazendo brincadeiras com eles nos 15 minutos finais para que com isso esta necessidade que eles tem de brincar seja ao menos amenizada. Ao terminarem alguma atividade disponibilizo jogos na sala de aula para poderem interagir mais uns com os outros, os próprios alunos trazem suas cartas de Uno para poderem jogar assim que tem alguma folga e no próprio recreio.
Conversando com algumas colegas e perguntando se notaram alguma diferença, todas me disseram que os alunos também possuem esta inquietação e essa necessidade de brincar durante a aula, portanto percebo que a minha percepção não está de todo errada.
Cada turma é uma turma diferente e com cada uma vamos aprendendo alguma coisa e modificando nossa maneira de trabalhar e adaptando nossos conteúdos e metodologias às necessidades que percebemos em nossos alunos.

Referências bibliograficas:
PIAGET, J. A psicologia da criança. Ed Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.

VYGOTSKY, L. 1989. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes