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domingo, 12 de julho de 2009

Desenvolvimento Moral

Educar moralmente não é segundo Piaget, apenas um ato de implantar valores na criança, mas também, e principalmente, um ato de ajudar a compreender esses valores, tomando consciência deles. Para tanto, é necessário perceber como se dá o respeito às regras e aos valores que norteiam a vida da criança.

No aspecto moral, segundo Piaget, a criança passa por uma fase pré-moral, caracterizada pela anomia, coincidindo com o "egocentrismo" infantil que vai até aproximadamente 4 ou 5 anos. Gradualmente, a criança vai entrando na fase da moral heterônoma e caminha gradualmente para a fase autônoma.

O quadro abaixo relaciona as atitudes interiores e as fases morais:

ANOMIA

HETERONOMIA

AUTONOMIA

Bagunça

Devassidão

Libertinagem

Dissolução

Medo

Autoritarismo

Imposição

Castigo

Prêmio

Respeito unilateral

Autocracia

Tirania

Cooperação

Amor

Respeito mútuo

Afetividade

Livre-arbítrio

Democracia

Reciprocidade

Lei Causa e Efeito

Trabalho com crianças de 08 a 13 anos o que me dá um grande material para analise. A turma com a qual trabalho na parte da manhã é uma terceira série, com alunos de 8 a 11 anos, todos muito queridos e com poucos problemas de indisciplina, acontecem às vezes alguns desentendimentos entre eles, mas nada que eu tenha que intervir. Todos possuem um comportamento bem infantil condizente com sua idade.

Na parte da tarde possuo uma quarta série, onde as idades variam de 9 a 13 anos, nesta sim tenho muitos problemas de indisciplina e atos de violência tanto física quanto verbal entre eles.

Um dia dois meninos, o Lucas de 13 anos e o Vinícius de 10 começaram a discutir em função de um trabalho em grupo que estavam fazendo e de uma hora para outra o Vinícius deu um empurrão no Lucas que revidou dando um soco no braço do colega. Ambos os alunos já se envolveram em diversas situações parecidas, muitas vezes juntos e em outras ocasiões separados envolvendo outras pessoas.

Lendo o texto, “Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança?”,de Jaqueline Picetti, ela no leva a pensar que tudo não passa de uma questão de justiça e que as crianças estão aplicando punições entre si de acordo com o que receberam um do outro, mas questiono o seguinte, será que no caso destes meus dois alunos eles estão realmente aplicar a justiça de acordo como pensam ou realmente eles possuem mesmo um comportamento agressivo, até em função da idade, pois um já é um adolescente e outro quase completando 11 anos está na pré adolescência.

Analisando o comportamento destes dois alunos posso chegar a conclusão que são moralmente imaturos, pois ainda estão no estágio da anomia ou egocentrismo, pois ambos sempre revidam de forma agressiva quando acontece algo que os contraria.

Pensando e analisando um pouco estes meninos e outros da mesma turma que também possuem um comportamento assim me pergunto: Será que todos possuem uma imaturidade moral, ou será que existem outros fatores que influenciam além dos seus desenvolvimentos morais?

Na verdade eu penso que além de ser imaturos eu acredito que as influências externas têm muito a ver com o comportamento destes alunos em particular, como a televisão, com seus desenhos e filmes violentos que eles tanto cultuam e principalmente games que não são adequados para idade que muitas vezes eu os vejo comentarem que jogam e tem.

Analisando meus alunos da parte da manhã, muitas vezes acontecem coisas do tipo de um esbarrar no outro e este acabarem revidando, mas tudo dentro de certa normalidade. Percebo também entre eles esta questão de obedecer às regras, muitas vezes sem saber nem porque, mas como foi instituído por alguém cobrar este comportamento dos outros que tenha quebrado ela.

Concluindo, que ao se pensar em uma educação moral, esta deve ser muito refletida, pois, numa primeira instância, devemos tomar conhecimento de como se desenvolve a moralidade na criança, já que esta depende, também, do desenvolvimento cognitivo. É neste contexto, portanto, que devemos conhecer os meios adequados para desenvolver a capacidade do juízo moral na criança.

Ação

Durante a atividade de ação, optei em realizar uma atividade que envolvesse uma ação direta dos alunos, onde através da sua ação sobre os objetos de pesquisa eles pudessem construir seu conhecimento. Estávamos trabalhando o solo e pedi para que analisassem com a ajuda de uma lupa e do tato três amostras de terra (argila, areia e terra preta) para que percebessem a diferença de tamanho das partículas de cada uma. Em seguida utilizando um funil para cada amostra de terra, pedi que os alunos colocassem as amostras de solo uma em cada funil e em seguida despejassem a mesma quantidade de água nos três funis e com isso analisassem o tempo que a água demoraria em passar pelos três recipientes. Depois de concluída esta parte pedi que os alunos em grupo relacionassem o tempo que a água demorou em passar pelas amostras e o tamanho das partículas de solo que eles analisaram.

Analisando esta aula e levando em conta o significado de construtivismo: “a idéia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhuma instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do Indivíduo com o meio físico e social, com o simbolismo humano, com o mundo das relações sociais; e se constitui por força de sua ação e não por qualquer dotação prévia, na bagagem hereditária ou no meio, de tal modo que podemos afirmar que antes da ação não há psiquismo nem consciência e, muito menos, pensamento.”; posso chegar à conclusão que a aula foi construtivista, pois os alunos construíram o seu conhecimento a partir da ação e da observação que tiveram sobre os objetos de estudo, que neste caso foram as amostras de solo. A partir desta observação e ação que tiveram os alunos concluíram, sem ter nenhum prévio conhecimento sobre o assunto que quanto maior a partícula do solo a água vai passar mais facilmente o que é o caso da areia e quanto menor for à partícula mais tempo vai demorar a água passar, que é o caso da argila. Realmente estes conceitos de permeabilidade da água ficaram bem gravados para os alunos, pois sempre que questionados sobre o assunto os alunos sempre se lembram da experiência que fizeram e conseguem relacionar os conceitos com a prática realizada.

Segundo PIAGET, “o aluno é um sujeito cultural ativo cuja ação tem dupla dimensão: assimiladora e acomodadora. Pela dimensão assimiladora ele produz transformações no mundo objetivo, enquanto pela dimensão acomodadora produz transformações em si mesmo, no mundo subjetivo. Assimilação e acomodação constituem as duas faces, complementares entre si, de todas as suas ações.” Para a epistemologia genética a ação é promotora de aprendizagem. Piaget acreditava que a aprendizagem acontece a partir da ação do sujeito, sendo que essa ação pode ser física ou mental.

Estes dois processos buscam restabelecer um equilíbrio mental perturbado pelo contato com um dado incompatível com aquilo que se conhece até então (princípio de equilibração). No primeiro caso aquilo com que se entra em contato é assimilado por um esquema já existente que então se amplia, no segundo, o dado novo é incompatível com os esquemas já formulados e então se cria um novo esquema acomodando este novo conhecimento. Este novo esquema será então ampliado na medida em que o indivíduo estabelecer relações com seu meio.

No caso da atividade realizada em sala de aula os alunos agiram sobre os objetos e a partir desta ação foram construindo o seu conhecimento. Pois aparentemente para os alunos os solos todos eram iguais somente apontando como diferença a sua coloração, mas a partir de uma analise mais apurada onde puderam ver com mais atenção e principalmente tocar as amostras de solo eles tiveram que mudar este conceito e criar um novo esquema mental e criar um novo conceito: que quanto maior a partícula menos água ela irá reter. Com o tempo os alunos começam a perceber no próprio ambiente onde vivem ou dos lugares que freqüentam as mesmas ações acontecendo.

Como por exemplo, “quando choveu muito e a água ficou empossada, pois o solo era argiloso e como a areia da praia deixa a água do mar passar rápido por ela”. Com estas observações feitas pelos alunos pude perceber que houve a assimilação e a acomodação destes conteúdos construídos a partir da ação dos alunos sobre o objeto de aprendizagem.

domingo, 31 de maio de 2009

MÉTODO CLÍNICO II

Acredito que com esta segunda experiência conseguimos nos sair melhor, pois encaramos com mais segurança e principalmente conseguimos questionar com mais clareza, sem confundir o testado ou influenciar.
Este teste foi mais rápido que o primeiro, feito com a Karina, pois conseguimos conduzi-lo melhor e também porque o Nathan já estava dando como certo que era sempre igual às massinhas e que como eu não acrescentava nem tirava nada estava se impacientando em responder algo que para ele era fato consumado.

domingo, 24 de maio de 2009

Método Clínico

Quando aplicamos o método clínico de conservação de massa, estávamos somente perguntando quais das duas eram maiores e não perguntando por que ela achava isso, depois iniciamos perguntando o porquê das respostas da Karina ai ela começou a responder que um tinha uma quantidade maior do que a outra, e quando pedi para ela pegar na mão sentir o peso e a forma ele mudou de idéia dizendo serem do mesmo tamanho.
Quanto a nossa atuação, acredito que a prática leva a perfeição, portanto como primeira experiência podemos melhorar muito, pois não conseguimos fazer exatamente igual ao roteiro e estávamos inseguras. Acredito que futuramente aplicando mais vezes o resultado será melhor e conseguiremos perguntar mais e investigar melhor a resposta dada pela criança fazendo mais questionamentos para que a criança possa justificar melhor a sua resposta.
Agora com a próxima atividade, com certeza teremos a chance de rever nossos erros e tentar fazer de uma forma diferente para chegarmos o mais perto possível daquilo que é esperado.

“O bom experimentador deve, efetivamente, reunir duas qualidades aparentemente incompatíveis: saber observar, deixar a criança falar, não desviar nada e, ao mesmo tempo, saber buscar algo preciso, ter a cada instante uma hipótese de trabalho, uma teoria verdadeira ou falsa para controlar”. (PIAGET, J. A Representação do Mundo na Criança. Rio de Janeiro: Distribuidora Record, [s.d.].p. 11)




segunda-feira, 27 de abril de 2009

ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO


Piaget determinou quatro estágios no desenvolvimento da capacidade de raciocínio do indivíduo, que se sucediam até o início da sua adolescência e correspondiam a sucessivas fases de seu crescimento físico. Essa descoberta tornou-se muito conhecida e fundamento para a pedagogia, a partir de então.
Estágio Sensório-Motor (0 a 2 anos)
- Aprendizagem da coordenação motora elementar
- Aquisição da linguagem até a construção de frases simples
- Desenvolvimento da percepção
- Noção de permanência do objeto
- Preferências afetivas
- Início da compreensão de regras
Estágio Pré-Operatório (2 a 7 anos)
- Domínio da linguagem
- Os objetos são percebidos como tendo intenções de afetar a vida da criança e dos outros seres humanos.
- Brincadeiras individualizadas, limitação em se colocar no lugar dos outros
- Possibilidade da moral da obediência, isto é, que o certo e o errado são aquilo que dizem os adultos.
- Coordenação motora fina.
Estágio das Operações Concretas (7 a 11 ou 12 anos)
- Início da capacidade de utilizar à lógica
- Número, conservação de massa e noção de volume
- Operações matemáticas, gramática, capacidade de compreender e se lembrar de fatos históricos e geográficos
- Auto – análise, possibilidade de compreensão dos próprios erros
- Planejamento das ações
- Compreensão do ponto-de-vista e necessidades dos outros
- Coordenação de atividades, jogos em equipe, formação de turmas de amigos (no início de ambos os sexos, no fim do período mais concentrada no mesmo sexo).
- Julgamento moral próprio que considera as intenções e não só o resultado (p.ex. perdoar se foi “sem querer”). Menos peso à opinião dos adultos.
Estágio das Operações Formais (11-12 anos em adiante)
- Abstração matemática
- Formação de conceitos abstratos (liberdade, justiça)
- Criatividade para trabalhar com hipóteses impossíveis ou irreais. Possibilidade de dedicação para transformar o mundo.
- Reflexão existencial (Quem sou eu? O que eu quero da minha vida?)
- Crítica dos valores morais e sociais
- Moral própria baseada na moral do grupo de amigos
- Experiência de coisas novas, estimuladas pelo grupo de amigos
- Desenvolvimento da sexualidade

domingo, 12 de abril de 2009

Aprendizagem


Primeiramente, penso que para aprender é preciso em primeiro lugar querer aprender e em segundo lugar é preciso criar técnicas ou métodos para aprender, pois cada um aprende de uma forma diferente e para isso é necessário tentar a forma mais adequada.
Posso citar aqui como uma nova aprendizagem, que não é mais tão nova assim é a criação de slides em Power Point, coisa que antes de entrar no curso não usava e, portanto não tinha noção de como fazer. A partir da Interdisciplina de TICs, onde tivemos que fazer uma apresentação sobre a própria disciplina é que precisei aprender a fazer os slides, antes até usava o computador, mas não para isso.
Esta aprendizagem foi construída individualmente, pois realizei o trabalho em casa e depois de muitas tentativas consegui um resultado que me deixou bastante satisfeita. Para construir esta aprendizagem utilizei o computador, pesquisa na internet e os tutoriais que foram oferecidos. Parece algo bem bobo, mas como não tinha a necessidade, nem a noção de para que pudesse usar nunca realmente me preocupei em aprender apesar de na época já ter computador.
Como em todas as aprendizagens que tenho realizado preciso fazer para aprender, vou tentando até conseguir, mesmo que isto demore mais tempo, mas para mim é muito importante fazer. Como estamos em um curso a distância me acostumei a ficar sozinha e tentar até conseguir e só depois de gastar todas as possibilidades procuro algum esclarecimento com alguém.
Pode até parecer um pouco individualista este comportamento, mas é um método que para minha aprendizagem é importante, pois agora domino perfeitamente esta aprendizagem e as outras que tivemos que aprender no decorrer do curso. É mais cansativo e muitas vezes frustrante, mas tem rendido bons resultados.
Para realizar esta aprendizagem foi necessário algum conhecimento prévio e algumas dicas para que ficasse dentro do que era exigido pela Interdisciplina e também para fazer apresentações que fossem agradáveis de ser vistas e não cansativas. Desde o tamanho da letra e do texto, até a cor de fundo do slide e a emoção que se quer despertar, como a utilização das imagens, como dimensioná-las e usá-las da melhor forma possível para complementar o trabalho e interagirem com o texto.
Além do fazer para aprender, é muito importante também para eu ler e compreender o que li e através desta compreensão criar minhas próprias conclusões e tecer meus próprios caminhos para processar o conteúdo lido.
Uma das coisas que faço sempre é antes de realizar qualquer trabalho é ler várias coisas sobre o assunto em questão e a partir destas leituras criar minhas próprias conclusões.
Penso que mais importante que ensinar milhares de conteúdos pouco relevantes para nossos alunos devemos também ensiná-los a aprender a encontrarem eles mesmos a melhor forma de aprender algo. Em todos os anos que estudei foram poucos os professores que me ensinaram a aprender, que deram dicas de como entender melhor os conteúdos que foram passados.
Percebo como é difícil fazer nossos alunos, mesmo pequenos de 9, 10 e 11 anos que são as faixas etárias com que trabalho, pensarem irem além daquilo que estamos passando. Muitas vezes consigo alguns resultados positivos, mas é difícil para eles pensar enquanto é tão mais fácil conseguir a resposta pronta com os pais o até mesmo na internet, mas continuo tentando, pois penso que só se aprende fazendo e participando do processo, é difícil, mas se fosse muito fácil não seria tão significativo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Identificando Epistemologias


O autor abre o texto afirmando que existem três diferentes formas de representar a relação professor/aluno. Apresenta então os modelos pedagógicos e como tais modelos são sustentados por uma determinada epistemologia.
O primeiro modelo é o da pedagogia diretiva - O professor representante do meio social determina que o aluno seja tabula rasa frente a cada novo conteúdo. Epistemologicamente, essa relação pode ser representada pelo empirismo. Para os empiristas, a construção do conhecimento é o resultado positivo das experiências concretas do homem com o mundo sensível, através da percepção. Nesse sentido, o homem nasce com a capacidade mental extremamente reduzida e apenas o contato direto com o exterior possibilita a assimilação e criação de conhecimentos.
O outro modelo proposto é o da pedagogia não-diretiva; o aluno, pelas suas condições prévias, determina a ação do professor. Esse modelo é reproduzido pelo apriorismo, que acredita que o homem já nasce com sua estrutura cognitivo-biológica formada, ou seja, ela é inata ao ser humano, pois, ao nascer, o homem já traz consigo a estrutura cognitiva necessária a construção de conhecimentos.
E por fim, o modelo relacional que na epistemologia é defendida pelo construtivismo, que afirma que o sujeito não é passivo nem pré-formado, mas que interage com o meio e nesta interação constrói o conhecimento.
Lendo o texto foi possível identificar alguns modelos de professores que passaram pela minha vida acadêmica e que deixaram marcas, cada um a sua maneira. Algumas boas e outras más.